Frio, muito frio. O vento gelado agredia os passantes pela Avenida Paulista.
Cedo, o sono ainda não havia passado e fome. Para espantar os 3 nada como um bom capuccino e um folheado.
Já no primeiro gole, meu estômago reclama, no segundo ele me xinga e no terceiro avisa que se eu me atrever a tomar aquele capuccino ele se vingaria de mim.
Tá bom, tá bom, há tempos aprendi a obedecer meu estômago, mas não podia jogar a bebida fora.
Havia um senhor sentado revirando no lixo, me aproximei e disse:
-Bom dia, o senhor aceita um café?
Acho que jamais conseguirei expressar em palavras a reação daquele homem que parecia ter mais de 60 anos, todo sujo, com o olhar perdido pelo chão, como se conseguisse ver o inferno abaixo da terra. Quando ele ergueu a cebeça e me viu com o copo de café na mão, seus olhos brilharam, mais intenso do que Vênus na lua minguante, seu sorriso desabrochou mais lindo do que uma flor de lótus ou uma orquídea no meio da floresta.
Nunca em minha vida, alguém havia me olhado com tanta felicidade e ternura ou sorrido com tanto agradecimento, a energia do ato me assustou ao mesmo tempo que me encheu de alegria.
E pensar que para algumas pessoas um copo de café com leite quente é o suficiente para causar contentamento e saber que às vezes eu posso oferecer até mais do que isso.
Ainda fiquei um tempo a observá-lo, degustava cada gole e tentava se aquecer como calor do copo e ele me observava talvez tentando entender o que se passava em minha cabeça e agradecendo por ter oferecido um pouquinho de calor a àlguém que talvez nem tenha mais esperanças.
18 de junho de 2009
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1 comentários:
Quem sabe um dia vc se convença .. menina eu nunca duvidei da sua generosidade .. garanto que aquele papo de obedecer o estomago foi só pretesto .. te amo moleca .. um beijo grande do tio .. guto leite.
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