Caminhante solitária no meio da floresta, sentindo o solo úmido sob seus pés, o vento frio arrepiando seus pêlos prateados pela luz do luar.
Seus olhos dourados com o brilho da lua, fome, raiva, desejo de caçar.
Mas hoje a floresta não tem tanto o sangue que gosta, prefere sair à caça nas cidades. sorrateira, esgueira-se pelas ruas sombrias.
Sente um cheiro doce no ar que enche sua boca de saliva. Uma moça caminha com seu bebê no colo, cantando uma suave cantiga de ninar, tentando fazer seu filho dormir.
Ela aproxima-se devagar e em um rápido golpe, morde as pernas da jovem que cai no chão com seu bebê. O cheiro do sangue aguça mais sua fome, ela agarra a criança e a devora devagar, saboreando cada parte em frente da mãe que não pode se mexer ou lutar, apenas gritar. Ela adorar olhar nos olhos das presas assim, ver o medo, a dor, o sofrimento. Mais uma vez aproxima-se da mulher, olhando fundo em seus olhos, vendo o olhar de raiva da mãe se transformar em resignição, pois sabe que não há mais nada a se fazer, olhar de quem deseja a morte. A moça implora para que aloba a mate, porém ela lhe dá apenas mais algumas mordidas e a deixa sozinha sangrando, gemendo olhando os restos de seu filho no chão e a mercê do destino.
A noite segue fria e escura, apenas um filete de lua no céu.
Uma loba caminha solitária, sua boca suja de sangue, seu coração cheio de raiva. Ainda sente fome.
Fome de dragão.
2 comentários:
Deliciosamente cruel
Que saudades das suas histórias! Após um período de turbulência voltei a fazer o que me faz feliz. Ótimo conto.
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