A floresta estava mais escura que o habitual aquela hora do dia, nem parecia um dia de primavera, as árvores molhadas realçando o cheiro da terra e das flores. Um dia sem vento, um dia em que mundo chora tudas as lágrimas das pessoas que não sabem chorar.
Ela caminha devagar, sentindo todo o frescos que gostava, estava sozinha novamente, lembrava do tempo em que foi livre e tinha companhia. Agora voltara a sua prisão, dessa vez era uma prisão sem muros, grades ou correntes, mesmo assim não menos fria, solitária e triste.
Seu pêlo estava molhado, seus olhos iam baixo, seu caminhar era lento, não sabia onde ir. Não era possível ver se havia arrependimento, ela sabia de sua escolha, mesmo assim se permitia sentir saudades.
Saudades do calor do corpo de seu companheiro, do cheiro, do amor selvagem, saudades de não se sentir sozinha, de poder voar às vezes, de correr sempre e ter para onde voltar.
Agora precisava tomar uma outra decisão, olhava para o lobo ao longe na colina, olhava para a menina perto dele, acariciando seu pelo e não sabia se implorava para se unir a ela ou para ser liberta de vez.
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