Mais um capítulo encerrado.
Páginas limpas pela frente, tinta nova, ideias novas.
Vamos colocar a criatividade para fluir e viver feliz.
Charmed
3 de janeiro de 2012
22 de dezembro de 2011
A menina de vestido prateado
Céu azul, sendo pintado de um laranja e rosa queimado com o sol que se recolhia. A menina caminhava pelo bosque, com seu vestido cor de prata e sua luz envolvia tudo e todos a sua volta, seus cabelos negros soltos ao vento, sua pele fresca da primavera, seu cheiro doce de fruta madura.
Percebe então que o céu começa a escurecer, porém a menina observa que o sol ainda estava lá, mesmo assim a sombra se aproximava, rápida como o vento de tempestade, eis que então ela vê dois pontos vermelhos em meio a escuridão.
Seu coração pára por segundos e volta a bater mais acelerado, sua respiração se perde em meio a emoção que sentia. Rapidamente foi envolvida e escutou um sussurro em seu ouvido.
- Venha! Vem ser minha menina. Quero você.
O corpo dela sempre a traia quando ele se aproximava.
- Venha! Não tenha medo e não olhe para trás.
O seu corpo se entregou, mas sua alma, olhou para o caminho de onde veio, ainda iluminado. Então ela viu um anjo, todo em azul e dourado, com um estrela de cinco pontas na palma da mão direita, a mesma estrela que ela carregava na fronte e iluminava seu caminho. Por um momento titubeou, seu coração ficou em dúvida.
- Vá minha menia, disse o anjo. Vá viver seu desejo. Não é possível viver para sempre na fronteira entre a luz e a escuridão. Eu estarei sempre aqui, a lhe esperar e amar. Vá inteira, faça sua escolha e se um dia quiseres voltar, encontrará meus braços abertos.
A menina então fechou seus olhos, vestiu-se do manto da noite, entregou-se aos braços daquele que desejava e amava, e não é possível dizer se algum dia ela voltará.
9 de dezembro de 2011
A floresta estava mais escura que o habitual aquela hora do dia, nem parecia um dia de primavera, as árvores molhadas realçando o cheiro da terra e das flores. Um dia sem vento, um dia em que mundo chora tudas as lágrimas das pessoas que não sabem chorar.
Ela caminha devagar, sentindo todo o frescos que gostava, estava sozinha novamente, lembrava do tempo em que foi livre e tinha companhia. Agora voltara a sua prisão, dessa vez era uma prisão sem muros, grades ou correntes, mesmo assim não menos fria, solitária e triste.
Seu pêlo estava molhado, seus olhos iam baixo, seu caminhar era lento, não sabia onde ir. Não era possível ver se havia arrependimento, ela sabia de sua escolha, mesmo assim se permitia sentir saudades.
Saudades do calor do corpo de seu companheiro, do cheiro, do amor selvagem, saudades de não se sentir sozinha, de poder voar às vezes, de correr sempre e ter para onde voltar.
Agora precisava tomar uma outra decisão, olhava para o lobo ao longe na colina, olhava para a menina perto dele, acariciando seu pelo e não sabia se implorava para se unir a ela ou para ser liberta de vez.
7 de dezembro de 2011
A Feiticeira beijada pelo fogo
Sua pele branca como a nuvens de um céu de primavera, os olhos verdes profundos como as águas do mar, duas pedras preciosas, seu corpo firme, seu cheiro fresco de flores, sorriso misterioso, os cabelos compridos e ondulados, avermelhados como as chamas das fogeiras de Beltane. Beijada pelo fogo alguns diziam e quem consquistasse seu amor, sorte teria.
Não sei dizer como, quando ou porque eles se conheceram, mas toda a história muda a partir do momento que eles se encontraram.
Ele, mesmo com toda a magia a protegê-lo, não resiste aos encantos dela. Lembro-me de certa vez que ele diz adorar bruxas, principalmente as mais poderosas. E isso ela era, poderosa, destemida, sedutora e o desejava, desejava unir seu corpo e seu poder ao dele.
Seus olhos o envolviam na doçura de um mar calmo, sua pele o aquecia como tarde de verão, sua boca o chamava para apreciar os mais deliciosos pecados, seu corpo era a morada que ele queria habitar, sua alma era as asas que ele sonhava ter.
"Resisto a tudo, menos a uma tentação", ele costumava brincar e se toda brincadeira tem um fundo de verdade, essa não seria uma exceção a regra. Não resistiu e se entregou a feiticeira que fora beijada pelo fogo.
Não foi fácil ver tudo acontecer sem falar nada, observar ele se perder naquele corpo e se entregar sem reservas aos encantos de alguém com mais poder, mas mesmo com coração apertado, sabia que ele seria mais feliz e eu poderia ver o quanto realmente o amava.
Mais difícil ainda foi vê-lo partir: Seu manto negro ao lado do fogo e uma pequena menina de cabelos negro cacheados levada pelas mãos que uma dia me tocaram. Apenas a menina olhou para trás e um pequena lágrima rolou em sua face morena, sabia que demoraria muito para se encontrarem. O dia estava claro, o céu limpo com um vento frio, o tempo parou e eles continuaram o seu caminho.
E eu fiquei com o coração despedaçado, a alma perdida, lágrimas me banhando, mesmo assim estava tranquila em saber que ele estaria seguro e que eu continuaria viva e isso me fazia feliz.
6 de dezembro de 2011
O coração aperta tanto como se fosse desaparecer, tudo começa a ficar cinza, frio, triste e nada parece mais ter sentido.
Minha mente procura alguma razão que justifique esses sentimentos, o coração me olha, pequeno, querendo saber porque o aperto tanto que ele quse sai em lágrimas.
Vontade de chorar, de gritar, de correr sem parar, de me esconder de mim mesma, de encontrar você.
Não é fácil descobrir e aceitar que o som de sua voz me acalma, que o seu cheiro e o calor do seu corpo levariam tudo isso embora, mas você está longe, muito longe e quando peço para minha mente se acalmar e entender que o que ela mais deseja ela não pode ter, ah! parece criança mimada se contorcendo fazendo manha, birra como se isso adiantasse.
Por que é tão difícil aceitar a sua ausência, aceitar que você não é meu e não pode estar ao meu lado nesse momento?
Por que não posso me contentar com um futuro que não existe?
Vários porques sem respostas. E a dor não vai embora, só piora, piora.
As lágrimas chegam, tentam aliviar, mas pouco tempo depois, o coração volta a apertar e a mente a desejar, desejar, desejar.
Lembro do meu mestre dizendo o quanto dói crescer, mas que compensa os resultados. Espero que ele esteja certo ais uma vez.
2 de dezembro de 2011
Árvores altas, o mar batendo calmo nas pedras, melodia doce com o vento leve que vinha do oceano. A noite estava clara com o brilho das estrelas, céu limpo com uma pequena lua.
Foi nessa floresta que eu lhe encontrei pela primeira vez, ferido, correndo até mim e se debruçando sobre meu colo.
Caminhei lentamente pela trilha tão conhecida, cheguei a lareira e você não estava lá. Pedi ao vento para lhe chamar, pedi ao mar para lhe encontrar e para a noite lhe trazer para mim, mas você não veio.
Percorri todos os lugares, perguntei a todos, mas não lhe encontrei.
A dor percorria minha alma, a tristeza me espreitava curiosa, mais uma vez sozinha. Alguém me espreitava pelas árvores, seu pêlo brilhava com a luz da noite, seu sorriso malvado: - Eu disse que você não o encontraria mais, ela sussurrava.
Lágrimas rolaram pela minha face, nem assim lhe encontrei, nem com meus gritos você veio.
Acordei na praia com o sol a me beijar, nada mais fazia sentido, nada mais tinha brilho.
Mesmo assim segui o meu caminho.
1 de dezembro de 2011
Voltando para casa
A noite chega refrescando o dia, o vento me embala, cheiro de verão chegando, luzes, enfeites, clima de férias de encerramento de mais um ano.
Tão bom saber que ao abrir a porta de casa, você me espera.
Adoro chegar e encontrar seu sorriso safado, maroto, seus braços abertos, seu abraço suave.
- Oi meu amor, como foi dia? Você me diz.
E eu lhe arrasto para o chuveiro.
Depois me deito e me esqueço em seus carinhos, em seu amor.
Percorro todo caminho até em casa sem perceber, mínha face sorri dos pensamentos.
E ao abrir a porta o vazio me preenche, não há ninguém, nenhum sorriso, nenhum beijo ou abraço. Apenas vazio e escuridão.
Meu mestre desia que a desilusão é sempre um presente, mesmo que amargo, um presente, então percebo que você não estará do meu lado sempre que desejar ou precisar, pelo menos não fisicamente.
Respiro fundo e tento ser forte, forte o suficiente para a tristeza e a solidão não maculem meu amor por você.
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